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Historial

Banda Plástica de Barcelos

A ideia da criação da Banda Plástica remonta a 10 de Junho de 1976, aquando de um encontro de coros na Covilhã. O Coral de Barcelos tinha actuado na primeira parte do espectáculo, e, na segunda, divertiu a assistência com uma representação alusiva aos músicos de Barcelos. A ideia agradou, ganhou corpo, e em breve, tornou-se uma banda a sério. Uma das suas primeiras actuações públicas foi na festa de S.João de Barcelinhos, freguesia situada na margem esquerda do Cávado, em 23 e 24 de Junho de 1976, e saldou-se por um enorme sucesso. Esta data é tida como a da fundação do grupo. Os espectáculos sucederam-se em ritmo muito rápido. Actualmente, a Banda Plástica e o Coral de Barcelos são dois agrupamentos autónomos que integram o Centro Cultural de Barcelos, organismo fundado em 1970.
Esta banda bebeu a sua inspiração numa paródia levada a efeito nos inícios dos anos 60, quando um grupo de homens fardados, munidos de instrumentos artesanais e trauteando músicas populares, partiu do largo Guilherme Gomes Fernandes, em Barcelinhos, e se dirigiu para o alto do Monte da Franqueira, a seis quilómetros de distância. Segundo atestam registos fotográficos e a memória de elementos ainda vivos, estes músicos improvisados empunhavam gaitas de barro e cones de linhas encaixados uns nos outros (à maneira de cornetas), e eram apoiados por três carroças puxadas por cavalos que transportavam o farnel para o grupo.
É nítida a semelhança plástica entre os bonecos de barro dos oleiros barcelenses e os elementos da banda. Mercê desta associação, o grupo impôs-se como cartaz de divertimento e alegria, levando o nome de Barcelos a inúmeras terras do país e do estrangeiro.

Executantes, músicas e instrumentos

A banda é composta por 25 elementos, pertencentes às mais diversas profissões. Vestidos de casaco azul-claro, calças brancas e boné de bico encarnado, são a imagem viva dos músicos de barro da região.
O reportório é de base popular: velhas melodias, em forma de rapsódia, que animam muitos terreiros do Minho. Se se deslocam a Espanha tocam temas populares espanhóis.
São alguns os instrumentos reais: acordeão, trompete, trombone, contra-baixo, bombo, pratos e caixa. Os restantes são artesanais, de "faz de conta", construídos a maioria de tubagem de plástico, com um bocal onde foi introduzida uma membrana, a qual impulsionada pelo sopro do músico produz um som anasalado, imitando a voz de falsete – são os chamados KAZUS. Uma combinação que é uma verdadeira originalidade.

Momentos Inesquecíveis

O sucesso da banda deu já origem a um número incalculável de espectáculos no país e no estrangeiro, incluindo o Brasil (Rio de Janeiro e S.Paulo), Espanha (Madrid, Corunha, Sevilha, Vigo e Tui), França (Villefranche de Rouergue e Vierson) e Estados Unidos América (Detroit). De destacar a sua actuação na Expo92 (Sevilha) e na Expo98 (Lisboa). Em Barcelos, a Banda Plástica é solicitada para os mais variados espectáculos. Saliente-se o carácter gratuito de muitas actuações, destinadas a casas de beneficência, lares de terceira idade e escolas.
Pelas suas características (número de elementos, colorido da farda e música), é o agrupamento ideal para animar congressos, recepções, casamentos, convívios de amigos, aniversários. Tangem melodias inesquecíveis em instrumentos de plástico – este é o seu segredo.

Maestro "Conde do Souto"

O êxito alcançado pela Banda Plástica deve-se, em grande parte, ao papel desempenhado pelo seu maestro, durante 25 anos consecutivos. António Durães de Faria era também conhecido por "Conde do Souto", por ser natural do lugar do Souto, freguesia de Barcelinhos. A alcunha fora-lhe posta por um amigo, e o nome que tinha sabor a nobreza pegou de imediato. Na sua juventude, fizera parte de vários grupos corais, e a música para ele era como uma mulher a quem se deve incondicional vassalagem. António Faria morreu em 25 de Julho de 2001, com 74 anos, porém o seu nome ficará para sempre associado à banda que ajudou a criar e dirigiu com notável mestria. O seu papel no grupo distinguia-se do de director artístico, que é quem coordena os ensaios e escolhe o reportório.
De batuta em punho, cabeleira postiça, comenda ao peito, envergando fraque e calças de fantasia, dirigia com gestos largos e graciosos, ora voltado para os seus homens, ora virado para o público, por vezes com trejeitos e descompassos que todos apreciavam . Figura franzina, e eminentemente cómica, era o espectáculo no seio do espectáculo. Normalmente bem humorado, transmitia alegria a quantos o rodeavam. Tratado como Mestre pelos seus homens, António Faria perdurará na memória dos barcelenses como símbolo de uma banda e a imagem do homem que manejava a batuta com inigualável magia.

 

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